Muitos gestores ainda não sabem o que é assédio moral ou bullying no ambiente de trabalho. E quem pode sair perdendo, além do funcionário, é a própria empresa.
Fora da Lei
No Brasil ainda não existe uma lei nacional para esse tipo de assédio. De acordo com o advogado Gilberto Costa, o assédio moral é uma espécie de dano moral, sendo caracterizado pela reiteração do ato que enseja a indenização correspondente pelo ofendido. Nesses termos, o artigo 5 da Constituição Federal bem como o artigo 186 do Código Civil estabelecem o direito à indenização, não havendo disposição específica sobre o assédio moral, em especial na seara do Direito do Trabalho, na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
O pesquisador da UnB Ântonio Martiningo Filho lembra que a maior parte das empresas ainda tenta negar a presença do assédio no ambiente de trabalho. "Embora saibam dos riscos de prejudicar a imagem da compahia, algumas preferem ignorar os casos que ocorrem em suas unidades", explica. Ele também destaca que os prejuízos vão além do mal-estar do funcionário assediado: "As empresas ainda não se deram conta de que, além da perda de produtividade causado por licenças médicas e outros afastamentos, o clima de desconfiança e medo que o assédio gera em todo o grupo de funcionários faz com que a organização perca excelentes profissionais e tenha dificuldade em atrair novos talentos para compor seu time".
Saiba como evitar agressões e processos
Do ponto de vista DO EMPREGADOR
- Crie um clima de confiança, no qual as pessoas tenham liberdade de falar sobre seus anseios e aspirações.
- Propicie um bom fluxo de comunicação entre funcionários e direção.
- Elabore e divulgue políticas e normas de conduta no ambiente de trabalho.
- Promova treinamentos e elabore cartilhas para conscientizar os colaboradores sobre as formas e os impactos do assédio moral no trabalho.
- Trate de forma adequada os casos denunciados, a fim de garantir o reposicionamento das pessoas que cometeram o assédio e o pronto auxílio as vítimas.
- Estabeleça e aplique punições aos funcionários responsáveis pelo assédio, de forma que as pessoas percebam claramente que a empresa tem efetivo interesse em que esse tipo de situação não vire uma prática comum.
Do ponto de vista DO EMPEGADO
- Procure entender o que é assédio moral e busque informações sobre o assunto. A informação é a principal proteção do funcionário.
- Não se isole. Procure ajuda dentro e fora da empresa, se for o caso.
- Deixe claro ao possível assediador que conhece a política da empresa e seus direitos de cidadão.
- Caso se sinta assediado, procure aconselhamento com os amigos e familiares. Esconder o fato só piora a situação
- Existem profissionais nas empresas e vinculados aos sindicatos e entidades de classe que podem ajudar.
Perfil dos agressores:
Veja a seguir, alguns dos tipos de chefes mais comuns envolvidos em situação de assédio:
- Profeta: Sua emissão é "enxugar" o mais rápido possível a "máquina", demitindo indiscriminadamente os trabalhadores. Refere-se às demissões como a "grande realização da sua vida". Humilha com cautela, reservadamente. As testemunhas, quando existem, são seus superiores, mostrando sua habilidade em "esmagar" elegantemente.
- Mala-Babão: É aquele chefe que bajula o patrão e não larga os subordinados. Persegue e controla cada um com "mão de ferro". É uma espécie de capataz moderno.
- Grande Irmão: Aproxima-se dos trabalhadores e mostra-se sensível aos problemas particulares de cada um. Na primeira oportunidade, utiliza esses mesmos problemas contra o trabalhador para rebaixá-lo, afastá-lo do grupo, demiti-lo ou exigir produtividade.
- Garganta: É o chefe que não conhece bem o trabalhodo colaborador, mas vive contando vantagens e não admite que seus subordinados saiba mais do que ele. Submete-o a situações vexatórias, como por exemplo: Colocá-lo para realizar tarefas acima do seu conhecimento ou inferior à sua função.
- Troglodita: É o chefe brusco, grotesco. Implanta as normas sem pensar e todos devem obedecer sem reclamar. Sempre está com a razão. Seu tipo é: "Eu mando e você obedece".
- Pit Bull: É o chefe agressivo, violento e perverso em palavras e atos. Demite friamente e humilha por fazer.
- Táse: De "Tá se achando". Confuso e inseguro, esconde seu desconhecimento com ordens contraditórias. Começa projetos novos para no dia seguinte modifiça-los. Exige relatórios diários que não serão utilizados. Não sabe o que fazer com as demandas dos seus superiores. Se algum projeto é elogiado por eles, colhe os louros. Em caso contrário, responsabiliza a "incompetência" dos seus subordinados.
- Tigrão: Esconde sua incapacidade com atitudes grosseiras e necessita de público que assista a seu ato para sentir-se respeitado e temido por todos.
Fonte: www.assediomoral.org - Margarida Barreto, mestre em psicologia social com a tese Umajornada e humilhações
www.revistamelhor.com.br Revista MELHOR -Gestão de Pessoas Edição 249 - agosto de 2008